06/07/2026

Tradição, inovação e cooperativismo passados de pai para filho

O cooperativismo, o espírito empreendedor e a paixão pela atividade leiteira são marcas que acompanham a família Casagranda há mais de cinco décadas. Na comunidade de São José Arossi, em Anta Gorda, pai e filho escrevem diariamente uma história construída com trabalho, visão de futuro e dedicação à produção de leite.

Associado à Cooperativa Dália Alimentos desde 1983, Mauro Casagranda (63) iniciou sua trajetória não apenas na bovinocultura de leite, pois na época, a propriedade também se dedicava à produção de suínos, quando sua mãe era associada à Dália, em um modelo distinto do programa de produção atual. “Quando adquirirmos a primeira novilha, trabalhávamos com a criação de suínos, e todo o ciclo acontecia dentro da propriedade. As entregas eram bem diferentes: comercializávamos um ou dois animais quando estavam prontos para o abate”, relembra Mauro destacando que hoje, seu filho Maurício também contribui no manejo do dia a dia na atividade leiteira, que é a principal fonte de renda da propriedade.

Mesmo atuando em duas atividades, a vocação pela produção leiteira logo se destacou. Ainda no primeiro ano de associação à Dália, a família decidiu investir na aquisição de novilhas da raça Holandesa, importadas do Uruguai por intermédio do Setor Gado Leiteiro da cooperativa. “A Dália sempre ofereceu uma assistência técnica muito boa, mas foi difícil encontrar local para iniciar a construção, pois o relevo da propriedade não é dos mais favoráveis, mesmo assim, com auxílio técnico construímos o Free Stall. Naquela época, era difícil encontrar novilhas com boa genética na região. Por isso, aproveitamos a oportunidade para investir em animais que pudessem proporcionar maior eficiência produtiva e iniciarmos o aumento do plantel com boa genética”, recorda o produtor.

Crescimento planejado

A busca por evolução sempre fez parte da rotina. No ano de 1984, foi construída a primeira instalação destinada ao rebanho leiteiro, com capacidade para 20 animais. Apesar de possuir a estrutura de Free Stall, o sistema adotado por muitos anos foi o semiconfinamento.

Ao longo das décadas, a propriedade passou por sucessivas ampliações. Em 2005, a capacidade foi ampliada para 30 vacas e, posteriormente, para 42 animais fazendo assim lote de vacas secas e pré parto confinadas. Já em outubro de 2020, a família investiu em uma nova sala de ordenha integrada ao galpão, dobrando a capacidade operacional de três para seis vacas ordenhadas simultaneamente. “Cada investimento foi realizado de forma planejada e sempre com orientação técnica. Procuramos crescer de maneira sustentável e adequada à realidade da propriedade”, destaca Mauro.

A evolução continuou em 2021, quando foram instaladas mais 20 camas para confinamento das novilhas maiores, elevando a capacidade para 62 animais. O planejamento era para 30 animais em lactação e o restante para as outras categorias. No início de 2025 mantiveram todo o lote de novilhas recriadas na propriedade, com 42 animais em lactação e, hoje, está sendo usada parte desta última ampliação para vaca seca e pré parto. Paralelamente, a família fez uma grande seleção genética: “pensamos em vender novilhas, mas antes disso realizamos um descarte criterioso de vacas do rebanho com problemas produtivos, reprodutivos e principalmente com CCS alta, o que foi importante para aumentar a eficiência do rebanho.”

O sonho de permanecer no campo

Grande parte dos investimentos realizados nos últimos anos tiveram o objetivo de estabelecer a sucessão familiar e, neste sentido, desde cedo, Maurício encontrou na atividade leiteira o caminho que desejava seguir. Hoje, ele é responsável pelo manejo dos animais, alimentação, ordenha e manutenção das instalações, enquanto Mauro dedica-se, principalmente, às atividades da lavoura, que ocupa mais de 15 hectares da propriedade. “Não me vejo fazendo outra coisa. Sempre gostei da atividade e tenho orgulho de continuar o trabalho da família”, afirma o jovem produtor.

Com olhar voltado para a inovação, Maurício também busca por novas tecnologias, dentre as quais, destaca-se a implantação de um sistema de cultura bacteriana, ferramenta que auxilia na identificação dos agentes causadores de mastite e na definição dos tratamentos mais adequados. “Este diagnóstico mais preciso facilita as decisões e melhora os resultados do rebanho”, explica.

Fé para superar os desafios

A trajetória da família também foi marcada por momentos difíceis. Há dois anos, Mauro, Maurício e a filha mais velha da família, Elimara Casagranda (31), enfrentaram a perda de Eliane Cenci Casagranda. Um período que exigiu união, força e fé para seguir em frente. “Quando perdemos a minha mãe, tivemos que nos fortalecer ainda mais. Com muita fé, continuamos trabalhando e acreditando que estamos no caminho certo”, relata Maurício.

Técnico | Júlio César Arossi de Sordi

Há mais de duas décadas acompanhando na propriedade, o técnico em agropecuária Júlio de Sordi destaca a visão empreendedora da família e a importância da sucessão na continuidade do negócio. “Mauro sempre foi um produtor cooperativista e muito visionário. Hoje, ele transmite ao filho não apenas os conhecimentos técnicos, mas também os desafios da gestão rural. Isso fica evidente nos investimentos realizados, além da melhoria nos programas de acompanhamento técnico como o manejo e o ajuste nutricional do rebanho, melhoria na forma de oferecer a dieta total dos animais, com auxílio do tratador com balança, análises frequentes dos volumosos e utilização de ração balanceada para cada categoria.

Atualmente, a propriedade conta com 37 vacas em lactação, alcançando uma média de 33 litros/dia por animal, mas pretendemos melhorar sempre essa média de produtividade. Os números refletem a evolução conquistada ao longo dos anos, mas a família já projeta novos avanços. “Eles continuam buscando melhorias. Existe o planejamento de uma futura ampliação para acomodar novilhas, pois a última foi para as novilhas, mas, hoje, parte dela é utilizada por vacas secas, o que denota o crescimento da atividade”, conclui Júlio.

Com raízes firmes no cooperativismo, confiança no trabalho e uma nova geração comprometida com o campo, a família Casagranda segue construindo uma história que une tradição, inovação e sucessão.

 

 

 

Legenda: Maurício atua ao lado do pai, Mauro Casagranda, na gestão da propriedade, unindo experiência e continuidade no campo com o auxílio do técnico agropecuário Julio de Sordi

Foto: Kástenes Roberto Casali

Assessoria de Imprensa Cooperativa Dália Alimentos

Jornalista Kástenes Roberto Casali

 

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