21/09/2026
Presidente Executivo da Dália avalia participação no Agro Summit
Carlos Alberto de Figueiredo Freitas participa de um dos principais eventos de tecnologia e inovação do setor agropecuário do Brasil e destaca debates sobre o novo cenário para a proteína animal
A 3ª edição do Bradesco BBI Agro Summit 2026, um dos principais eventos de tecnologia e inovação voltados ao agronegócio brasileiro, proporcionou ao Presidente Executivo da Cooperativa Dália Alimentos, Carlos Alberto de Figueiredo Freitas, uma atualização sobre importantes debates do setor, como os impactos das chamadas “canetas emagrecedoras” nos hábitos de consumo, os desafios logísticos e o posicionamento do Brasil no cenário global. A programação ocorreu no dia 10 de setembro, no Rosewood São Paulo.
Freitas participou do Agro Summit 2026 a convite do Bradesco S/A, promotor do encontro, que teve como objetivo reunir gestores e representantes da cadeia produtiva do agronegócio brasileiro, proporcionando a troca de conhecimentos e experiências, além da prospecção de negócios.
Segundo o Presidente Executivo, os debates foram proveitosos e apresentaram informações relevantes para o agronegócio brasileiro e, em especial, para a cadeia produtiva da proteína animal.
A abertura ficou a cargo de Letícia Cardelli, diretora do Bradesco BBI Agro, que chamou a atenção para o fato de que os ciclos econômicos favoráveis não serem permanentes nas cadeias produtivas, sendo normalmente sucedidos por períodos de maior dificuldade. Nesse contexto, destacou a importância da formação de reservas financeiras durante os ciclos positivos, como forma de proporcionar maior segurança e capacidade de reação diante de cenários adversos.
O gestor relata que a programação contemplou quatro painéis, reunindo especialistas de diferentes áreas: “O agro brasileiro visto de fora: como os mercados globais enxergam o Brasil nos próximos 10 anos”; “O consumidor pós-GLP-1: como a nova revolução alimentar pode redesenhar o agronegócio”; “Infraestrutura e competitividade: o desafio logístico do agronegócio brasileiro”; e “2027 em perspectiva: cenário global e rumos do Brasil”.
Brasil nos próximos 10 anos
Freitas detalha que o primeiro painel contou com a participação de Blairo Maggi, ex-ministro da Agricultura, e mediação de William Waack, jornalista e cientista político. “Maggi ressaltou a importância da participação das organizações representativas das cadeias produtivas nos fóruns em que são tomadas decisões capazes de impactar o futuro das atividades, considerando o conhecimento técnico e a experiência concentrados nessas entidades”, relata Freitas.
O ex-ministro também destacou a importância da construção e do fortalecimento da imagem do Brasil no exterior, mencionando a atuação diplomática e a presença de adidos agrícolas (auditores fiscais presente nas embaixadas) como instrumentos relevantes para a defesa dos interesses do agronegócio brasileiro e para a prevenção de prejuízos ao setor.
GLP-1: a nova revolução alimentar
O Presidente Executivo da Dália menciona que, no segundo painel, Paulo Fernandes, da McKinsey, e Gilberto Tomazoni, da JBS, com mediação de Henrique Brustolin, abordaram o avanço do uso dos medicamentos da classe GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, e seus possíveis reflexos sobre os hábitos alimentares e, consequentemente, sobre a cadeia produtiva da proteína animal. “Segundo as informações apresentadas no encontro, há uma perspectiva de valorização do consumo de proteínas, especialmente entre os usuários desses medicamentos, que buscam uma alimentação capaz de contribuir para a manutenção da saúde e, particularmente, para a preservação da massa magra durante o processo de emagrecimento.”
Durante o painel, também foram apresentados dados indicando que aproximadamente 6% da população adulta brasileira utiliza esses medicamentos, movimentando cerca de R$ 20 bilhões por ano, com estimativa de que esse mercado possa alcançar R$ 30 bilhões anuais. “Nesse cenário, estaria se consolidando uma nova matriz nutricional, com maior valorização das proteínas e revisão de conceitos relacionados ao consumo de gorduras de origem animal. As pesquisas médicas apresentadas também reforçaram a atenção em relação ao consumo excessivo de carboidratos, açúcares e gorduras trans.”
Em síntese, os especialistas apontaram que o consumidor está cada vez mais consciente da importância de preservar a saúde e, ao mesmo tempo, evitar a perda de massa magra, cenário que poderá trazer reflexos importantes para a cadeia produtiva da proteína animal.
Infraestrutura e competitividade
O terceiro painel contou com George Santoro, Natália Marcassa, vice-presidente da Rumo, e Paulo Sousa, CEO da Cargill. Segundo Freitas, o debate abordou os desafios relacionados à infraestrutura e à logística do agronegócio brasileiro. “No debate sobre infraestrutura, foi destacado que a predominância do transporte rodoviário está relacionada, entre outros fatores, ao elevado custo dos investimentos necessários para a implantação de redes ferroviárias, apontado no encontro como significativamente superior ao da infraestrutura rodoviária”, explica.
Também foi ressaltado que os investimentos ferroviários possuem prazo de retorno mais longo e exigem maior volume de recursos. “Os painelistas enfatizaram que as rodovias, por sua vez, apresentam maior flexibilidade de implantação e utilização por etapas.”
Em relação às hidrovias, foram mencionados os desafios técnicos e ambientais para sua expansão, especialmente aqueles relacionados à necessidade de intervenções, como a dragagem dos rios, submetidas às exigências da legislação ambiental brasileira.
Cenário global e rumos do Brasil
O último painel foi mediado por Fernando Honorato, do Bradesco, e contou com a participação de Chris Garman, da Eurasia Group, e Luciano Dias, cientista político, que apresentaram avaliações sobre o cenário político e pesquisas relacionadas ao eleitorado brasileiro.
As análises apontaram sentimentos de desalento, decepção e abandono entre parcelas do eleitorado, cenário que, conforme apresentado no painel, pode ampliar os riscos e as incertezas no ambiente político. “Também foram discutidos os efeitos do instituto da reeleição sobre a gestão pública. Entre os argumentos apresentados, destacou-se a avaliação de que, após a eleição para um primeiro mandato, a busca pela reeleição pode passar a influenciar decisões administrativas e políticas, desviando o foco de programas originalmente concebidos para um período de quatro anos.”
O painel abordou ainda questões relacionadas à confiança nas instituições, à utilização da máquina pública e à necessidade de aprimoramento dos mecanismos de governança, transparência e integridade. “De modo geral, o Agro Summit proporcionou uma visão abrangente sobre questões que deverão influenciar o futuro do agronegócio brasileiro, reunindo temas relacionados aos mercados internacionais, às mudanças nos hábitos de consumo, à infraestrutura e ao cenário político e econômico.”
O Presidente Executivo conclui que sua participação no encontro representou uma importante oportunidade de atualização e reflexão sobre tendências que poderão produzir impactos diretos no agronegócio e, particularmente, na cadeia produtiva da proteína animal.
Legenda: Presidente da Dália esteve em um dos maiores eventos sobre tecnologia do país
Fotos: Kástenes Roberto Casali
Assessoria de Imprensa Cooperativa Dália Alimentos
Jornalista Kástenes Roberto Casali