27/03/2026
Diversificação no campo aliada à tecnologia amplia produção
Em Vila Nova do Sul, Bibiana Oliveira da Silva começou a produção com apenas um animal e hoje conta com 227 vacas e ordenha robotizada
Na localidade de Rincão dos Moraes, no município de Vila Nova do Sul, na região central do Rio Grande do Sul, Bibiana Oliveira da Silva (45) se destaca na atividade leiteira. Na região do Pampa Gaúcho, onde predominam as lavouras de soja, trigo e milho, ela buscou diversidade e fez aflorar sua vocação para a produção de leite.
Associada à Cooperativa Dália Alimentos há sete anos, Bibiana já se identificava com o sistema cooperativo. “Me associei à Dália porque vi que a cooperativa valoriza o associado, trata-o de forma humanizada, trabalha com transparência e, além disso, são várias as vantagens de participar de um programa de assistência técnica, como a disponibilização de um profissional que visita a propriedade. Também temos vantagens comerciais com a ração personalizada, os núcleos minerais e a suplementação própria da cooperativa.”
Em agosto de 2025, a associada decidiu realizar um grande investimento e migrar do sistema convencional de ordenha para uma estrutura no sistema Compost Barn, com dois robôs de ordenha, resfriamento, coleiras de monitoramento, empurrador de silagem/ração e escova rotativa (massageador para o bem-estar animal). “Tínhamos o rebanho solto em piquetes, mas com o aumento do plantel, com 102 animais em lactação e 125 vacas secas e novilhas, precisávamos de um sistema mais eficiente. Por isso, investimos cerca de R$ 4 milhões e conseguimos aumentar a produtividade para quase o dobro da média por animal ao dia.”
Para o trabalho do dia a dia, Bibiana conta com três funcionários, responsáveis pela alimentação do rebanho, pelo fornecimento de leite às terneiras e pelo preparo de medicamentos quando necessário. “Além deles, meu marido, Marcos, cuida de 70 hectares de milho para silagem e 45 ha de aveia. Ele também utiliza essa mesma área para a lavoura de soja como renda complementar.”
Tudo começou com apenas uma vaca
A paixão pelo manejo do gado leiteiro começou quando Bibiana ganhou uma vaca após se casar com Marcos da Silva (53), no ano 2000. “Quando viemos morar aqui, na localidade de Rincão dos Moraes, ainda não havia energia elétrica na casa. Logo nasceu minha primogênita, Natália (24), que hoje cursa Agronomia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Na época, tínhamos apenas um animal para produção de leite, para a subsistência da família”, recorda ao mencionar que apesar de Natália estar longe de casa, o caçula Otávio (12) também acompanha as tarefas na instalação durante o contraturno escolar.
Aos poucos, a atividade leiteira, que era voltada ao sustento, foi crescendo e, em pouco tempo, Bibiana já cuidava de três animais. “Tudo foi aos poucos. Em 2007, com um rebanho de 18 animais, passamos a vender leite, despertando cada vez mais interesse, pois uma das grandes vantagens é que, diferente das safras nas lavouras de grãos, as principais culturas da região, nós recebemos mensalmente”, avalia.
O salto na quantidade ocorreu em 2012, quando Marcos adquiriu 45 animais, ampliando exponencialmente o rebanho leiteiro. “Nesse período, com um número maior de vacas, tive que readequar o local, tirando a estrutura que ficava ao lado de casa e levando mais para os fundos.”
Já em 2019, houve investimento em um sistema tradicional de ordenha, com sala de ordenha e estrutura para alimentação do gado leiteiro. “Nessa época, tínhamos uma média de 26 litros por animal ao dia.”
Técnico | Cleiton Gass
Segundo o técnico agropecuário Cleiton Gass, a dedicação de Bibiana, com o auxílio de Marcos na lavoura, tem rendido resultados expressivos, mesmo em um período de calor extremo no verão. “Ela é uma produtora profissional, que enxerga sempre à frente e isso a motivou a investir em um Compost Barn sofisticado, com ordenha robotizada e os melhores equipamentos, o que também pode motivar uma futura sucessão seja com Natália ou com Otávio”, pontua.
O técnico também destaca que o objetivo é aumentar ainda mais a produtividade. “Sabemos que no inverno há aumento na produção, pois o rebanho sofre menos com o estresse térmico, principal fator que reduz a produção de leite no verão. Além disso, ela utiliza ração concentrada da Dália, caroço de algodão, silagem de milho e aveia, sempre entregando a melhor dieta para o gado”, finaliza Cleiton.
Legendas: Na região onde a cultura costuma ser de gãos, Bibiana decidiu investir em leite e, hoje, com o confinamento
e ordenha robotizada, produz cerca de quatro mil litros por dia
Foto: Kástenes Roberto Casali
Assessoria de Imprensa Cooperativa Dália Alimentos
Jornalista Kástenes Roberto Casali