11/02/2026
Filha segue os passos do pai e perpetua quatro décadas de cooperativismo
Realizar a primeira ordenha do dia às 4h30min tem um motivo peculiar que, com o tempo, virou tradição na família Moreschi, da comunidade Santo Antônio, Linha Sétima, em Guaporé.
Hoje, essa história é contada pelo filho Ivair Moreschi (58) e pela esposa, Jaqueline Basso Moreschi (54), e remonta à trajetória da primeira geração associada à Dália: o patriarca Luis Moreschi (95). Lúcido, ele ainda guarda na memória a importância da cooperativa para a família e o papel de liderança que exerceu ao longo dos anos.
A associação de Luis ocorreu na década de 1980, período em que a Dália contava com um posto de recebimento e de vendas. “Falar de quarenta anos atrás é lembrar de uma realidade completamente diferente, especialmente em relação à comunicação. Mesmo assim, o sentimento cooperativista já existia em nós, e fui um dos delegados eleitos da região”, relembra emocionado.
Naquela época, a mobilidade também era limitada. Para visitar as famílias associadas, o delegado percorria longas distâncias a cavalo. “Era demorado, mas isso não me impedia de cumprir o compromisso. Todos os finais de semana eram dedicados a visitar, ouvir e acompanhar os associados”, conta.
Luis recorda ainda que a família sempre produziu leite, mas a atividade não era vista como principal fonte de renda. “O rebanho era pequeno e a produção servia basicamente para subsistência. A principal atividade era a suinocultura, que deu origem à associação à Dália.”
Mesmo com cerca de 15 animais, a ordenha precisava ocorrer ainda de madrugada, antes do deslocamento do gado até as pastagens. “Como os animais ficavam soltos, era necessário ordenhar por volta das 4h30min para evitar o movimento da ERS-129, já que as terras ficavam do outro lado da rodovia”, explica.
“Mantivemos essa cultura”
Com o passar dos anos, a atividade leiteira tornou-se a principal fonte de renda da família. Uma nova estrutura foi construída em outra área da propriedade, eliminando a necessidade de atravessar a rodovia. “O município proibiu atividades agropecuárias em áreas urbanas, por isso encerramos a suinocultura e passamos a focar totalmente no leite. Transferimos o rebanho para uma área de 30 hectares, onde estamos até hoje”, relata Ivair.
Inicialmente, foi implantado um sistema de Free Stall para semiconfinamento, que passou a ser de confinamento em setembro de 2025. “Investimos em melhorias visando o conforto animal e à ampliação da capacidade para 83 vacas em lactação. Foram cerca de R$ 600 mil aplicados em raspador automático e sistema de resfriamento, além do melhor aproveitamento da área para produção de silagem de milho”, detalha.
Uma curiosidade da propriedade é que, mesmo com a estrutura permitindo flexibilidade de horários, a família manteve a rotina tradicional de duas ordenhas diárias, às 4h30min e às 16h30min. “Seguimos com esse hábito porque faz parte da nossa história. Começar cedo facilita a organização das tarefas, que realizo junto com meu irmão, Vanderlei Moreschi (62), e meu genro, Júlio Cesar Dall Agnoll (29). Como já somos três, Jaqueline não precisa mais ajudar na propriedade e se dedica aos afazeres domésticos, também essenciais no dia a dia da família”, comenta Ivair.
Atualmente, a filha de Ivair, Milena Moreschi (25), também contribui com as atividades da propriedade. Ela atua como médica veterinária em uma empresa, mas a família planeja que, no futuro, Milena e Júlio assumam integralmente a produção leiteira. “Ela vem se destacando muito. Sempre sonhei em ser veterinário e ver esse sonho realizado nela, após anos de sua dedicação, é uma grande conquista”, afirma o pai que também relembra que a primogênita Memora Moreschi (30), cresceu envolvida com as atividades na propriedade e também reside em Guaporé.
Mesmo trabalhando fora, Milena concilia a profissão com o auxílio nas demandas da granja. “Sempre gostei de cuidar dos animais. Acredito que herdei isso do meu pai. Por isso, mesmo atuando em outra empresa, meu coração está aqui, com a nossa família, para dar continuidade ao negócio”, destaca.
Técnico | Dirceu Fronchetti
O técnico agropecuário Dirceu Fronchetti acompanha a família há 35 anos. Ao longo deste período, prestou assistência tanto na suinocultura, até 2010, quanto na atividade leiteira. “Tive a felicidade de acompanhar toda essa trajetória e de tê-los entre os primeiros associados atendidos em Guaporé. Falar da família Moreschi é falar de cooperativismo e de dedicação transmitida de geração em geração. Hoje, com a terceira geração envolvida, isso se torna ainda mais especial”, ressalta.
Segundo Fronchetti, Ivair seguiu os passos do pai ao demonstrar visão empreendedora. “Antes mesmo de o leite se tornar a principal atividade, eles já investiam em melhoramento genético, sendo a primeira propriedade na Dália que começou o registro do rebanho na Associação dos Criadores de Gado Holandês do RS (Gadolando). A família realiza inseminação desde a década de 1980 e tudo sempre foi muito bem planejado e executado.”
Por fim, o técnico destaca os avanços na produção. Atualmente, a média é de 36 litros por animal/dia. “Eles saíram de uma produção diária de 600 litros e, no novo galpão, com 50 vacas em lactação, triplicaram esse volume”, conclui.
Legenda: Técnico Dirceu acompanha a família Moreschi há mais de três decadas: Luis, Ivair, Jaqueline, Milena e Júlio
Foto: Kástenes Roberto Casali
Assessoria de Imprensa Cooperativa Dália Alimentos
Jornalista Kástenes Roberto Casali