11/05/2026
O espírito empreendedor na suinocultura envolve três gerações
A família Lodi, de Anta Gorda, trabalha com produção de suínos há mais de seis décadas e conta com duas creches na localidade de Dr. Felizardo Júnior
As três gerações envolvidas com a suinocultura na família Lodi transformaram a propriedade em um empreendimento altamente produtivo, muito diferente daquele início simples, há cerca de seis décadas.
É na comunidade de Dr. Felizardo Júnior, em Anta Gorda, que o amor pela atividade suinícola é passado de geração em geração. Atualmente, o casal Eodair (81) e Angela Josefina (79), junto com o filho Claudiomar Lodi (50), recebe leitões em duas creches, cada uma com capacidade para alojar 2,4 mil suínos. Ao todo, são quatro instalações, mas, para compreender a vocação da família para a criação de suínos, é necessário voltar uma geração no tempo. “Desde a minha infância, acompanhei meu pai, Fidelis Lodi, no plantio de milho e soja e, principalmente, no manejo de suínos. Naquela época, os animais ficavam soltos. Tudo era bem diferente”, relembra Eodair.
A associação da família à Dália, realizada por Fidelis, ocorreu em 1961, por ocasião da incorporação da Cooperativa Mista Cruzeiro do Sul, de Xarqueadas, em Putinga. “Meu pai já entregava os suínos para essa pequena cooperativa em Putinga, mas foi sob a gestão da Dália que houve profissionalização, rentabilidade e crescimento na atividade.”
Após o pai, Eodair também não demorou a se associar à Dália Alimentos, integrando o quadro social desde 1965. “A partir disso, começamos a investir cada vez mais na propriedade e construímos um galpão. Além disso, a cooperativa passou a realizar novas pesquisas sobre nutrição animal e a fornecer uma dieta por meio de ração concentrada, tornando a produção mais eficiente.”
Como delegado
O sistema de produção conhecido como ciclo completo permaneceu até a década de 1990, quando Eodair e Angela reformaram a instalação para receber suínos apenas na fase de terminação. “Enquanto no ciclo completo, com cinco criadeiras, entregávamos cerca de 90 suínos por ano, na terminação passaram a ser 300 animais por lote, uma média anual de 1,2 mil suínos.”
Outro fator importante foi o convite para atuar como delegado durante uma reunião com os associados. “Foi uma alegria, mas, ao mesmo tempo, um compromisso, pois eu visitava, com frequência, todas as famílias associadas que pertenciam ao meu grupo, e, inclusive, distribuía o jornal da cooperativa”, recorda Eodair, ao mencionar que essa rotina durou alguns mandatos, até decidir deixar a liderança local.
E a creche?
No ano de 2005, foi a vez de Claudiomar se associar à Dália e seguir os passos do pai. A partir disso, houve uma divisão na gestão das tarefas da propriedade: ele passou a se dedicar ao manejo dos suínos, enquanto os pais cuidavam da produção de leite, que também era entregue à cooperativa.
Já em 2013, com a abertura de novas vagas para o ciclo creche, a família decidiu construir uma instalação com capacidade para 2,4 mil leitões. “O galpão que estávamos usando para terminação necessitava de muito investimento e ampliação. Por isso, meus pais logo optaram por investir cerca de R$ 300 mil para alojar os leitões”, explica Claudiomar, salientando que essa foi uma decisão importante e que, paralelamente, a produção de leite foi encerrada para focar em apenas uma atividade.
Com a oportunidade de ampliar, em 2020, Claudiomar construiu mais dois galpões para abrigar outros 2,4 mil animais. “Essa foi outra decisão bem planejada junto com o apoio dos meus pais, minha esposa, Cassiane Mocelin (47), e minha filha, Karen Lodi (23), que incentivaram a ampliação.”
Técnico | Danilo Lodi Rissini
O técnico agropecuário Danilo Rissini começou a atender a propriedade em 1985, quando logo percebeu o espírito empreendedor da família. “Na época, vi o capricho da família e percebi que levariam o legado dessa atividade com zelo e dedicação. Por isso, sempre os incentivei, por meio da assistência, a aumentarem o plantel e a se profissionalizarem cada vez mais”, afirma.
Nesse meio-tempo, Danilo permaneceu cerca de três décadas sem visitar a família, pois passou a atender outras regiões durante um período. “Foram três décadas atendendo outras regiões e retornei em 2022, com a propriedade já estruturada e em melhoria contínua, aperfeiçoando os detalhes para atingir resultados cada vez mais expressivos nas conversões.”
Curiosidades
Uma curiosidade incomum é a memória de Eodair, que guarda com nitidez a primeira visita do técnico Danilo à propriedade. “Lembro-me bem daquele rapaz quietinho, com sua pasta debaixo do braço. O cumprimento inicial, no dialeto italiano conhecido como Talian, sua simpatia e o profissionalismo chamaram a atenção. Por isso, mantemos essa amizade e sempre o recebemos com muita alegria em nossa propriedade”, comenta Eodair ao falar sobre a relação com o técnico.
Legenda: Claudiomar, Eodair e Angela Josefina Lodi
Foto: Kástenes Roberto Casali
Assessoria de Imprensa Cooperativa Dália Alimentos
Jornalista Kástenes Roberto Casali