07/01/2026
“Feijão com arroz” bem feito gera resultados expressivos
Um dos principais índices na atividade leiteira é a produtividade média de um animal por dia, pois esse é o resultado de todo o manejo realizado na propriedade. Nesse sentido, a família Boni, de Relvado, executa com atenção o trabalho considerado básico e, dentro dos padrões normais, tem superado a meta de produção.
Associado à Cooperativa Dália Alimentos desde 2008, o delegado Marcos Antônio (48) e sua esposa, Jovane Tauffer Boni (44), se conheceram em São Paulo, em uma churrascaria. Apesar de serem dois gaúchos, Marcos, natural de Tenente Portela, e Jovane, de Encantado, conheceram-se na movimentada Avenida 23 de Maio, onde foram colegas de trabalho entre os anos de 2003 e 2006. O casal viu o destino conduzi-los de volta ao sul e, buscando qualidade de vida, optou por dar continuidade ao negócio da família.
Ainda em São Paulo, Marcos era maître, coordenador da equipe de garçons, enquanto Jovane trabalhava na recepção do estabelecimento. “Quando vi ela, logo me apaixonei. Tudo foi muito rápido, pois em 2004 ficamos noivos e, no início de 2006, nos casamos, tudo em Relvado”, relembra Marcos.
A decisão de retornar para Relvado ocorreu após a churrascaria encerrar as atividades. Em seguida, ele passou a trabalhar como manobrista e ela em uma rede de supermercados. “Já estávamos pensando no futuro e em como seria se tivéssemos filhos, diante do alto custo de vida na capital paulista. Por isso, preferimos retornar”, conta Jovane.
No final de 2006, decidiram voltar definitivamente para o RS e dar continuidade à atividade leiteira, iniciada pelos pais de Jovane, Neville (79) e Talita Decosta Tauffer (64). “Eles começaram com a produção de leite apenas para subsistência e se associaram à Dália em 1989, quando produziam suínos”, relembra Jovane.
Ela comenta que ainda hoje os pais continuam ajudando nos manejos, cuidando principalmente das terneiras. “Hoje, eles cuidam das novilhas soltas nas pastagens, mas foram eles que começaram a vender leite para a Dália em 1997, quando investiram em sistema de ordenha, tarros e resfriador da época. Além disso, meu pai e minha mãe também comercializavam milho em grãos para a cooperativa”, lembra.
Após a vinda para Relvado, o casal teve dois filhos, Isabella Maria (17) e Davi Luiz Boni (11). Paralelamente, ampliaram o plantel e profissionalizaram a gestão com o apoio da assistência técnica da Dália. “Conseguimos aumentar a produção, mas isso graças ao auxílio da cooperativa. Melhoramos a dieta do rebanho e, após nosso ingresso no programa Vale dos Lácteos, com a visita do médico veterinário, conseguimos avançar no melhoramento genético”, destaca Marcos.
Produção
Diferentemente do passado, quando em 1997 Neville e Talita produziam apenas 30 litros por dia com sete animais, hoje o casal ampliou não apenas a produção, mas também a extensão da propriedade. Atualmente, contam com 4 hectares para pastagens, divididos em piquetes, e 21 hectares destinados ao milho grão e à silagem. “Trabalhamos com o sistema de semiconfinamento para o rebanho em lactação. Tratamos os animais no galpão, depois os conduzimos à sala de ordenha e, em seguida, soltamos nas pastagens”, explica Marcos ao reforçar que são realizadas duas ordenhas por dia.
Nos últimos três meses, com um plantel de 20 animais em lactação, a família alcançou média de 31 litros por animal/dia. “Foi um resultado muito bom. Sabemos que para uma vaca se pagar, ela precisa produzir em média de 20 a 22 litros, dependendo do sistema. Nossa meta era atingir 28 litros, e conseguimos ultrapassar essa quantidade apenas com o manejo básico, mas bem feito”, destaca o delegado.
Médico Veterinário | Luciano Redu
Segundo o veterinário Luciano Redu, que atende a propriedade desde 2014, os programas de produção são fundamentais para o desenvolvimento das propriedades. Destaque para o Vale dos Lácteos, que permite um trabalho exclusivo focado no melhoramento genético por meio do controle leiteiro individual, registros genealógicos e classificação linear, todos oficiais, realizados pelas associações de raça. “Nosso principal trabalho neste programa é a gestão de custos, nutrição e melhoramento genético”, ressalta.
Sobre a propriedade, ele enfatiza que um bom trabalho vem sendo realizado, mas sem nenhum procedimento fora do comum. São feitas análises de solo para garantir boa dieta, acompanhamento dos índices de Contagem Bacteriana Total (CBT) e Contagem de Células Somáticas (CCS), além do melhoramento genético, ampliando a produção sem necessidade de aumentar o rebanho. “É o famoso ‘feijão com arroz’ bem feito. Estão realizando o manejo adequado dentro da normalidade.”
Por fim, Luciano menciona que os resultados de CCS e CBT são números que indicam uma boa qualidade do leite. “A gente percebe o interesse do casal, principalmente em ajustes de dieta, em aproveitar a assistência técnica, adotando os procedimentos sugeridos e seguindo as orientações de manejo ou até, eventualmente, corrigindo problemas”, finaliza o veterinário.
Legendas: Jovane, Marcos Antônio e o veterinário Luciano
Foto: Lauren Vitória Dos Santos
Assessoria de Imprensa Cooperativa Dália Alimentos
Jornalista Kástenes Roberto Casali