06/07/2026

Vocação e trabalho: o que mantém os filhos no campo

Acompanhar as tecnologias e as adequações exigidas pela legislação na suinocultura é essencial para o produtor rural que busca viabilidade e sustentabilidade na atividade. Foram justamente essas transformações e atualizações constantes que permitiram à família Pohl, de Venâncio Aires, prosperar e se desenvolver na suinocultura ao longo de quase três décadas.

Mesmo aposentado, Hary Pohl (65), ainda auxilia em algumas atividades da propriedade, principalmente no recebimento e embarque de leitões na granja que está localizada na Linha Olavo Bilac, em Venâncio Aires. Ele relembra que a família ingressou na suinocultura, no ciclo creche, devido a uma oportunidade junto à Cooperativa Dália Alimentos. “A primeira instalação foi construída em 1997, quando me associei à cooperativa. Na época, alojávamos 600 leitões. Com a permanência dos meus filhos na atividade, em 2013 ampliamos a estrutura com a construção de mais duas instalações, passando a alojar 2,1 mil leitões”, relata Hary. Segundo ele, foi a partir dessa ampliação que a sucessão familiar ocorreu de forma definitiva.

Ao recordar os primeiros anos da atividade, Hary destaca que o sistema era bastante diferente do atual. As baias eram feitas de madeira e a pesagem dos leitões acontecia individualmente. “Era pesado leitão por leitão. Hoje isso é impensável, pois se pesa o caminhão inteiro, ou seja, todo o lote de uma só vez. Mas, para a época, nem demorava tanto, porque cada pessoa tinha uma função durante o embarque dos animais”, lembra.

Antes de iniciar na suinocultura, o associado vendeu suas terras na localidade de Sampaio Alto, também em Venâncio Aires, e adquiriu uma área de 16 hectares, onde construiu o primeiro galpão.

A sucessão para os filhos, Diones Ricardo Pohl (42) e Diego André Pohl (34), ocorreu justamente durante o processo de ampliação da estrutura. “Sempre apoiei a continuidade deles na propriedade e o sentimento de pertencimento ao cooperativismo. Por isso, decidiram investir cerca de R$ 250 mil na ampliação e, assim, pude me aposentar”, afirma.

 

Decidindo pela continuidade

Com a gestão da propriedade sob responsabilidade dos irmãos Diones e Diego, as tarefas foram divididas de forma simples. O caçula, Diego, é responsável pelo manejo integral dos leitões, enquanto Diones cuida das lavouras destinadas ao gado de corte, atividade complementar da família. “Aprendemos com nosso pai a sermos dedicados em tudo o que fazemos e a buscar a diversificação no meio rural. Durante sete anos entregamos leite para a cooperativa, mas optamos por concentrar nossos esforços na suinocultura”, comenta Diego.

Entretanto, a decisão de ampliar a capacidade de alojamento dos leitões nem sempre foi consenso. Em determinado momento, a família chegou a cogitar abandonar a atividade e adaptar a primeira instalação para a produção leiteira. “Sabemos que a agropecuária passa por altos e baixos. Houve um período em que pensamos em permanecer apenas com o leite, transformando o primeiro galpão em sala de ordenha e área de confinamento. Mas a perseverança e a vocação falaram mais alto”, recorda.

Diego também destaca que, entre os vizinhos que investiram no ciclo creche no final da década de 1990, praticamente na mesma época em que a família iniciou a atividade, apenas os Pohl permaneceram na suinocultura.

Além do empenho na propriedade, Diego e Diones valorizam os momentos em família e gostam de jogar futebol. Diego é casado com Tamara Schwingel Pohl (31), e pai de Davi (2). Já Diones é casado com Gláucia Scherner (43), e pai de Arthur (2), e Cecília, de apenas um ano.

Técnico | Eliandro Provensi

Para o técnico Eliandro Provensi, que acompanha a família desde 2017, a dedicação, a vocação e os cuidados com o manejo dos leitões, transmitidos por Hary aos filhos, foram fundamentais para que ambos permanecessem na atividade. “Foi essa confiança no trabalho que motivou a família a investir e ampliar a capacidade de alojamento. Todo esse cuidado se reflete no manejo. Neste período mais frio do inverno, por exemplo, eles optaram por instalar lonas sobre as baias para reter o calor, já que os leitões são mais sensíveis às baixas temperaturas”, conclui Eliandro.

 

 

Legenda: Atualmente, Diego Pohl é responsável pelo manejo dos lotes de suínos, com apoio pontual do irmão, Diones, e do pai, Hary Pohl, além do auxílio do técnico Eliandro Provensi

Foto: Kástenes Roberto Casali

Assessoria de Imprensa Cooperativa Dália Alimentos

Jornalista Kástenes Roberto Casali

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